No tempo em que acreditava em Natais
Via a neve em países longínquos
E morrendo de calor
- do dia, do forno, do asfalto –
Achava sentido nas vestes
Vermelhas, pesadas e gordas.
No tempo em que acreditava em Natais
Imaginava a mesa farta
De frutas e pensamentos exóticos
De felicidades distantes
De esperanças densas como a calda de açúcar.
No tempo em que acreditava em Natais
Gastava noites a desenhar no céu
As constelações e os desejos.
Era criança e tinha esperança
Na vida, no certo e nas estradas.
Mas depois que cresci percebo
Que toda estrada é circular
E a nada leva
E todo rio é uma ilusão.
E esse Natal teimoso
- teimoso de dar nos nervos –
Essa inconseqüência feliz
Permanece.
Somente eu não estou mais aqui...
Oi Bido,
ResponderExcluirgostei muito do seu poema sobre o Natal. Me fez lembrar de uma música que estava num vinil alemão que eu adorava ouvir. Tenho ele até hoje,mas precisaria de uma vitrola também...
As músicas deste disto cantam o Natal de maneira crítica: dos pais que bebem pra caramba e o filho pede como presente que o pai não exagere neste ano, fala das crianças que ganham de presente tanques, armas e míseis de brinquedo, enquanto o mundo pede paz etc...
Só tem um errinho de digitação na quarta estrofe: "permanece".
Olá:
ResponderExcluirSe precisar da vitrolinha, eu empresto!
Vou arrumar o erro de digitação. Obrigado,.
Bido