No tempo em que acreditava em Natais
Via a neve em países longínquos
E morrendo de calor
- do dia, do forno, do asfalto –
Achava sentido nas vestes
Vermelhas, pesadas e gordas.
No tempo em que acreditava em Natais
Imaginava a mesa farta
De frutas e pensamentos exóticos
De felicidades distantes
De esperanças densas como a calda de açúcar.
No tempo em que acreditava em Natais
Gastava noites a desenhar no céu
As constelações e os desejos.
Era criança e tinha esperança
Na vida, no certo e nas estradas.
Mas depois que cresci percebo
Que toda estrada é circular
E a nada leva
E todo rio é uma ilusão.
E esse Natal teimoso
- teimoso de dar nos nervos –
Essa inconseqüência feliz
Permanece.
Somente eu não estou mais aqui...