quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Natal frente ao espelho

Acordei mais velho e o tempo pesou sobre minhas pálpebras.
Um sono antigo, triste
Um sono de todos os tempos...
Meus cabelos embranqueceram ou caíram
E minha casa está vazia.
Perdi o trem, o tempo e a confiança
E no meu espírito canta uma garoa fria de beco.

Lá fora, a avenida arborizada acende todas as luzes.
Shoppings, lojas, congestionamentos
Carícias do consumo,
Abandono de Narciso.
E eu? E eu?

Abotôo o último botão da camisa
Calço meu sapato envelhecido
Vou ao encontro dos amigos
Beber
Viver
Cantar

Meu reflexo aborrecido
Me repreende:
“Ora veja, ser feliz num tempo desses...”

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