sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Tudo o que lhe quis dizer

Se a noite silenciosa assombra
Feito arma à espreita nos becos
E a nossa voz acovarda-se
Dos momentos felizes que vivemos
Se, contudo, sofremos nossas antigas alegrias
E desfazemos os nós
Antigos e doces
Se fomos amigos outrora
E hoje emudecemos
E somos deserto e abandono
Se fomos tão capazes,
Tão idealistas e vivos
E hoje nos deixamos sepultar
Se tivemos tantos encontros
Tantos abraços e cartas
Por que nos abandonamos?

Imensa e fria covardia...

Amar exige.
Sentar-se a mesa, abraçar-se
Buscar seu próprio reflexo no olhar do outro...
Tantas coragens
Quase inatingíveis!
A carta branca da qual falamos
Se dispõe desafiadora
Sobre a mesa!

(Olho as luzes de Natal nas varandas das casas e penso:
vou te abraçar e dizer tudo o que lhe quis dizer
desde o último Natal)

Em quantas ceias haverá a celebração do medo!
Medo da morte das antigas tralhas
Medo da humilde reparação da amizade
Medo do encontro
Medo de que sobre a mesa não seja posto amor suficiente...

Aos que vierem para cear
Servirei meu abraço-coragem
Partilharei minhas palavras-toques
E brindarei à vida-vida
- único presente que vale a pena...

Um comentário:

  1. Que lindas palavras, professor!

    Não esperarei até o Natal para lhe dizer que você, assim como muitos professores marcaram meus passos. Pena que não leu meus agradecimentos, você estava lá.
    Muito legal seu blog. Parabéns!
    Carolina Riveros

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