O vazio em mim
não é vazio.
Ele dói e é vero.
O vazio em mim
não é um
é zero.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Zero - um
Dividi meu ser
por zero
e o resultado
- inexistente -
é o conjunto
vazio
do meu desejo
No lugar onde
estou
não há
- nem eu.
por zero
e o resultado
- inexistente -
é o conjunto
vazio
do meu desejo
No lugar onde
estou
não há
- nem eu.
terça-feira, 12 de abril de 2011
Volta e meia
Eu
volta e meia
homem
erijo minha vontade
e grito
exijo
volta e meia sou
volta e meia desisto
volta e meia
homem
erijo minha vontade
e grito
exijo
volta e meia sou
volta e meia desisto
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
A roda da fortuna
Estive em todos os becos,
dos capitólios borbulhantes
às mais frias capitais
Sozinho, pesado e bronco
levei meu corpo deletério
por baixo de todos os portais
compus poemetos sem nexo
e discursos incoerentes
ao som das minhas correntes
visitei lugubres umbrais
Para , enfim, sem mais saída
depositar sobre o altar funéreo
os parcos dons do meu sexo
os nacos dos meus genitais
e então, de joelhos, confessado,
rezar
dormir
e deixar
que a brisa suave da tarde
apague as velas da nave
e faça a carne calar.
dos capitólios borbulhantes
às mais frias capitais
Sozinho, pesado e bronco
levei meu corpo deletério
por baixo de todos os portais
compus poemetos sem nexo
e discursos incoerentes
ao som das minhas correntes
visitei lugubres umbrais
Para , enfim, sem mais saída
depositar sobre o altar funéreo
os parcos dons do meu sexo
os nacos dos meus genitais
e então, de joelhos, confessado,
rezar
dormir
e deixar
que a brisa suave da tarde
apague as velas da nave
e faça a carne calar.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Tudo o que lhe quis dizer
Se a noite silenciosa assombra
Feito arma à espreita nos becos
E a nossa voz acovarda-se
Dos momentos felizes que vivemos
Se, contudo, sofremos nossas antigas alegrias
E desfazemos os nós
Antigos e doces
Se fomos amigos outrora
E hoje emudecemos
E somos deserto e abandono
Se fomos tão capazes,
Tão idealistas e vivos
E hoje nos deixamos sepultar
Se tivemos tantos encontros
Tantos abraços e cartas
Por que nos abandonamos?
Imensa e fria covardia...
Amar exige.
Sentar-se a mesa, abraçar-se
Buscar seu próprio reflexo no olhar do outro...
Tantas coragens
Quase inatingíveis!
A carta branca da qual falamos
Se dispõe desafiadora
Sobre a mesa!
(Olho as luzes de Natal nas varandas das casas e penso:
vou te abraçar e dizer tudo o que lhe quis dizer
desde o último Natal)
Em quantas ceias haverá a celebração do medo!
Medo da morte das antigas tralhas
Medo da humilde reparação da amizade
Medo do encontro
Medo de que sobre a mesa não seja posto amor suficiente...
Aos que vierem para cear
Servirei meu abraço-coragem
Partilharei minhas palavras-toques
E brindarei à vida-vida
- único presente que vale a pena...
Feito arma à espreita nos becos
E a nossa voz acovarda-se
Dos momentos felizes que vivemos
Se, contudo, sofremos nossas antigas alegrias
E desfazemos os nós
Antigos e doces
Se fomos amigos outrora
E hoje emudecemos
E somos deserto e abandono
Se fomos tão capazes,
Tão idealistas e vivos
E hoje nos deixamos sepultar
Se tivemos tantos encontros
Tantos abraços e cartas
Por que nos abandonamos?
Imensa e fria covardia...
Amar exige.
Sentar-se a mesa, abraçar-se
Buscar seu próprio reflexo no olhar do outro...
Tantas coragens
Quase inatingíveis!
A carta branca da qual falamos
Se dispõe desafiadora
Sobre a mesa!
(Olho as luzes de Natal nas varandas das casas e penso:
vou te abraçar e dizer tudo o que lhe quis dizer
desde o último Natal)
Em quantas ceias haverá a celebração do medo!
Medo da morte das antigas tralhas
Medo da humilde reparação da amizade
Medo do encontro
Medo de que sobre a mesa não seja posto amor suficiente...
Aos que vierem para cear
Servirei meu abraço-coragem
Partilharei minhas palavras-toques
E brindarei à vida-vida
- único presente que vale a pena...
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Natal frente ao espelho
Acordei mais velho e o tempo pesou sobre minhas pálpebras.
Um sono antigo, triste
Um sono de todos os tempos...
Meus cabelos embranqueceram ou caíram
E minha casa está vazia.
Perdi o trem, o tempo e a confiança
E no meu espírito canta uma garoa fria de beco.
Lá fora, a avenida arborizada acende todas as luzes.
Shoppings, lojas, congestionamentos
Carícias do consumo,
Abandono de Narciso.
E eu? E eu?
Abotôo o último botão da camisa
Calço meu sapato envelhecido
Vou ao encontro dos amigos
Beber
Viver
Cantar
Meu reflexo aborrecido
Me repreende:
“Ora veja, ser feliz num tempo desses...”
Um sono antigo, triste
Um sono de todos os tempos...
Meus cabelos embranqueceram ou caíram
E minha casa está vazia.
Perdi o trem, o tempo e a confiança
E no meu espírito canta uma garoa fria de beco.
Lá fora, a avenida arborizada acende todas as luzes.
Shoppings, lojas, congestionamentos
Carícias do consumo,
Abandono de Narciso.
E eu? E eu?
Abotôo o último botão da camisa
Calço meu sapato envelhecido
Vou ao encontro dos amigos
Beber
Viver
Cantar
Meu reflexo aborrecido
Me repreende:
“Ora veja, ser feliz num tempo desses...”
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